Minha Saga para Encontrar um Lar em Dublin: Quando o Sonho Encontra a Realidade

Após começar as aulas, iniciou-se uma nova fase do meu intercâmbio: a busca por uma moradia permanente. A acomodação estudantil, que fazia parte do pacote, incluía apenas uma semana de estadia — embora fosse possível pagar por um período maior, caso o aluno desejasse.

A primeira etapa dessa busca costuma começar na comunicação entre os próprios estudantes: quem já encontrou um lugar costuma avisar nos grupos se há vagas disponíveis em suas casas ou apartamentos. No meu caso, decidi adotar uma estratégia direta: entrei em vários grupos de Facebook e comecei a marcar visitas logo após as aulas.

Cada intercambista tem seu próprio ritmo e prioridades. Alguns preferem aproveitar o início do intercâmbio para passear, fazer compras e viajar. Mas, sinceramente, acredito que o mais importante no início é garantir um lar estável.

No meu caso, cheguei em Dublin em um domingo — como contei no (Leia aqui) — e, já na quarta-feira da semana seguinte, estava me mudando para a nova moradia, deixando para trás quatro dias ainda pagos da acomodação estudantil.

Por isso, não posso afirmar que uma semana seja o período ideal para todos. Esse tempo depende muito de como cada um reage a situações de pressão e prazos curtos. Eu já sabia que minhas chances eram boas, porque não buscava nada muito específico. Já outros colegas tinham exigências diferentes. Um amigo, por exemplo, acabou estendendo a estadia na acomodação porque não gostou dos apartamentos que visitou. Ele pagou mais caro, mas conseguiu o tipo de moradia que realmente queria. E deu certo — foi a escolha dele, dentro do jeito que ele opera.

Essa experiência me fez reforçar uma convicção: se conhecer é, no mínimo, tão importante quanto conhecer a situação em si.


Planejamento Financeiro e Expectativas

Naquela época, o governo irlandês calculava que cada estudante precisaria de uma média de €500 por mês para se manter no país — considerando cerca de €300 de aluguel, €100 de alimentação e €100 para lazer e transporte.

Como mencionei (Leia aqui), levei €6.000, o dobro do valor mínimo exigido para seis meses de intercâmbio.

Fiz as contas simples: o curso durava seis meses, o visto era válido por doze, e com um aluguel de até €300 por mês, meu plano tinha tudo para dar certo.

E realmente deu — financeiramente, não tive grandes problemas. Mas aprendi algo essencial: nem sempre economizar significa ganhar. Às vezes, economizar no aluguel pode custar caro em outros aspectos — como a sua paz.

O intercâmbio da vida real, aquele vivido por 99% das pessoas, não é o dos filmes de Hollywood.
Você provavelmente não terá um apartamento só seu, nem um cartão de crédito ilimitado dos pais. A realidade é dividir casa — e muitas vezes o quarto — com pessoas que você nunca viu antes. E isso pode dar muito certo… ou nem tanto.


Minha Primeira Moradia em Dublin

Minha meta era encontrar algo abaixo de €300 e sair o quanto antes da acomodação estudantil. E consegui: encontrei um studio onde o aluguel total era de €600, dividido entre quatro pessoas — ou seja, €150 por mês.

Na visita, os moradores pareciam tranquilos. Disseram que todos trabalhavam e só iam para casa para dormir. Um deles, segundo me contaram, era praticamente um “fantasma”, pois passava semanas fora. Tudo parecia limpo e organizado.

Mas nem tudo foi como prometido. Três semanas depois, eu já estava novamente na luta por uma nova moradia.
O espaço era pequeno, raramente estava limpo, e havia um grande fluxo de amigos dos rapazes, muitos deles indo até lá para fumar — inclusive cannabis. Eu não fumo, precisava estudar e fazer os exercícios da escola, e aquele ambiente começou a me desgastar.

Um dia, um dos moradores me pediu para sair do apartamento por algumas horas porque ele traria uma garota. Recusei, expliquei que aquilo não fazia sentido e que já tínhamos recebido visitas demais. Foi a gota d’água.

No dia seguinte, o responsável pelo apartamento veio conversar comigo sobre o ocorrido, e eu já estava decidido: iria sair dali. Ele compreendeu e aceitou minha decisão de imediato. Sabia que aquele arranjo não funcionava para nenhum dos lados.


Um Novo Começo

Recomecei a busca e, na semana seguinte, encontrei um apartamento em Dublin 6, um bairro excelente.
Dividia o espaço com um brasileiro que já morava há quatro anos na cidade e um italiano — o que, para mim, foi uma ótima oportunidade de praticar inglês em casa.

O aluguel era de €225 + contas (energia e internet), e o ambiente era completamente diferente do
anterior. Meus novos flatmates eram tranquilos e organizados. Finalmente pude relaxar e começar de verdade minha vida no Velho Continente.

Essa, claro, não foi minha última moradia em Dublin — muitas outras histórias vieram depois, que contarei nos próximos capítulos.


Lições Dessa Fase

A grande lição que tirei dessa experiência é que nem tudo é como parece à primeira vista.
Tudo foi válido: aprendi sobre convivência, sobre mim mesmo e sobre respeitar o tempo e as necessidades de cada pessoa.

Hoje entendo melhor o ponto de vista daquele amigo que preferiu esperar e pagar mais caro. Ele não estava apenas buscando conforto, mas também priorizando sua paz e segurança — algo que faz toda diferença.

Encerrando este capítulo, não posso dizer o que você deve fazer no seu intercâmbio, porque cada pessoa é única, com expectativas e limites diferentes.
Mas posso compartilhar minhas histórias e esperar que elas te inspirem a encontrar o seu próprio caminho e a ter sucesso com suas experiências.

✈️ A jornada continua!

No próximo capítulo, conto como foram meus primeiros dias de aula na Irlanda — a adaptação, o inglês do dia a dia, os colegas e o ambiente escolar que marcou essa fase do intercâmbio.

Também vou detalhar como funciona o curso de inglês, a duração de 25 semanas, as regras do visto de estudante com permissão de trabalho, e como essa etapa foi essencial para me integrar à vida no país.

👉 Acompanhe os próximos capítulos aqui no Brazuca – O Imigrante na Europa e viva essa experiência comigo! 🇮🇪


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